Tireoidite de Hashimoto: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologia e Metabologia - CRM 123579/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Tireoidite de Hashimoto?

A tireoidite de Hashimoto (ou Doença de Hashimoto) é a principal causa do Hipotireoidismo primário, ou seja, aquele hipotireoidismo que se origina na tireoide.

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O hipotireoidismo resulta da incapacidade da tireoide em produzir os hormônios T4 e T3 na quantidade em que o corpo precisa para manter seu funcionamento em ritmo normal. A tireoidite de Hashimoto é causada porque o organismo passa a fabricar anticorpos (um de nossos agentes de defesa) que acabam atacando a tireoide.

Para simplificar, é como se o nosso corpo não reconhecesse a tireoide e assim ocorre a produção de anticorpos que podem gerar um quadro inflamatório - indolor - na tireoide. Isso faz com que a tireoide tenha dificuldade de funcionamento, dai o hipotireoidismo.

Causas

A tireoidite de Hashimoto é causada quando o organismo fabrica anticorpos contra a tireoide. O nosso sistema imunológico é uma máquina programada para ser eficiente. Ele é programado para reconhecer, identificar e atacar os invasores do nosso corpo. Estamos cercados por vírus, parasitas e bactérias. Quando somos "atacados" existem células de defesa que vão fazer uma leitura do invasor - como se o escaneasse por inteiro - e vão levar as informações para o sistema imunológico. A partir daí, o sistema imune vai então dizer o que precisa ser feito: atacar ou não, produzir anticorpos ou enviar células de destruição ao local onde o invasor se encontra.

Em algumas pessoas, o sistema imunológico acaba recebendo algumas informações incorretas ou faz uma análise incorreta ou trocada das informações que recebeu. O resultado é a produção de anticorpos que vão atacar algumas regiões do próprio corpo, chamados auto anticorpos. Dessa forma, é possível que uma pessoa que tenha o sistema imunológico alterado, produza auto anticorpos contra a tireoide - fazendo hipertireoidismo - que chamamos de Doença de Basedow Graves, ou hipotireoidismo - que é a tireoidite de Hashimoto.

Na tireoidite de Hashimoto, o ataque dos anticorpos na tireoide causa a dificuldade de funcionamento e uma inflamação crônica, conhecida como tireoidite linfocítica crônica.

Fatores de risco

Existem alguns fatores que aumentam as chances de ter a Tireoidite de Hashimoto, como:

1) Sexo feminino: As mulheres são muito mais propensas a desenvolver a doença de Hashimoto.

2) Meia idade: A doença de Hashimoto pode ocorrer em qualquer idade, mas mais comumente ocorre durante a meia idade.

3) Genética: casos de hipotireoidismo ou hipertireoidismo na família, ou outras doenças autoimunes como: Artrite reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Vitiligo podem determinar que o paciente esteja em maior risco para a doença de Hashimoto.

4) Ter outra doença auto-imune: quadros como como artrite reumatoide, Diabetes tipo 1 ou Lupus Eritematoso Sistêmico - aumenta o risco de desenvolver a doença de Hashimoto.

5) Exposição à radiação: as pessoas expostas a níveis excessivos de radiação ambiental são mais propensas à doença de Hashimoto.

Sintomas

Sintomas de Tireoidite de Hashimoto

Como a tireoidite de Hashimoto causa hipotireoidismo, os sintomas são aqueles comuns aos quadros de hipotireoidismo. Como:

É importante comentar que a tireoidite de Hashimoto é indolor, ou seja, você não irá perceber sintomas de dor no pescoço por causa dessa alteração, mas as vezes é possível sentir apenas uma sensibilidade maior na região.

Além disso, é possível que a tireoidite de Hashimoto se combine com outras causas de autoimunidade no organismo, como vitiligo, que acontece quando o sistema imunológico ataca as células de pigmentação da pele - os melanócitos. Pode ser também que o organismo produza anticorpos que ataquem as células da supra-renal que produzem o hormônio cortisol - resultando em uma alteração chamada doença de Addison.

É possível que o sistema imune passe a produzir anticorpos que acelerem o funcionamento da tireoide, ou que os anticorpos que estavam causando a inflamação do Hashimoto passem a acelerar a tireoide, em vez de destruírem ela. E assim o paciente terá um quadro de hipertireoidismo.

Buscando ajuda médica

A presença de sintomas possíveis de hipotireoidismo indicam a necessidade de uma avaliação médica. Na consulta o médico irá te examinar e pedir os exames necessários para o diagnóstico e acompanhamento. O mais importante aqui é que este acompanhamento médico seja feito regularmente. Dosagens hormonais, exames de sangue e uma boa consulta são os principais aliados para controlar o Hashimoto.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Tireoidite de Hashimoto

O diagnóstico é feito através da dosagem nos exames de sangue para: o funcionamento da tireoide (TSH e T4 livre) e para a identificação de anticorpos: dosagem de Anti-TPO ( anticorpo anti-peroxidase ou anticorpo antimicrossomal) e anti-tireoglobulina.

O diagnóstico é feito através da dosagem nos exames de sangue para: o funcionamento da tireoide (TSH e T4 livre) e para a identificação de anticorpos: dosagem de Anti-TPO (anticorpo anti-peroxidase ou anticorpo antimicrossomal) e anti-tireoglobulina.

Exames

Os exames feitos para detectar a tireoidite de Hashimoto são:

Os exames feitos para detectar a tireoidite de Hashimoto são:

  • TSH
  • T4 livre
  • Anti-TPO
  • Antitireoglobulina.
  • TSH
  • T4 livre
  • Anti-TPO
  • Antitireoglobulina.

Em caso de alteração à palpação da tireoide, geralmente o médico irá indicar o exame de ultrassom da tireoide para avaliação.

Em caso de alteração à palpação da tireoide, geralmente o médico irá indicar o exame de ultrassom da tireoide para avaliação.

Caso você suspeite de alterações na tireoide, procure seu médico e converse com ele. Exames simples de sangue podem diagnosticar o hipotireoidismo e outras tantas alterações hormonais.

Caso você suspeite de alterações na tireoide, procure seu médico e converse com ele. Exames simples de sangue podem diagnosticar o hipotireoidismo e outras tantas alterações hormonais.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Tireoidite de Hashimoto

O tratamento da tireoidite de Hashimoto, quando indicado, é feito com a medicação Levotiroxina, usada para substituir a quantidade que está faltando da produção diária do hormônio. É como se fosse uma ajuda externa para que seu corpo fique equilibrado. E é por isso que ela tem que ser tomada de forma muito certa, pois vai ajudar a reequilibrar os níveis hormonais.

O tratamento da tireoidite de Hashimoto, quando indicado, é feito com a medicação Levotiroxina, usada para substituir a quantidade que está faltando da produção diária do hormônio. É como se fosse uma ajuda externa para que seu corpo fique equilibrado. E é por isso que ela tem que ser tomada de forma muito certa, pois vai ajudar a reequilibrar os níveis hormonais.

A recomendação é que seja tomada meia hora antes do café da manhã, em jejum, e todos os dias se possível no mesmo horário, mesmo sábado e domingo (nem que você durma depois de tomar de novo). É importante que você coloque um aviso no celular para lembrar de tomar todos os dias. Assim, o organismo irá receber o medicamento no horário certo e irá trabalhar em ordem!

A recomendação é que seja tomada meia hora antes do café da manhã, em jejum, e todos os dias se possível no mesmo horário, mesmo sábado e domingo (nem que você durma depois de tomar de novo). É importante que você coloque um aviso no celular para lembrar de tomar todos os dias. Assim, o organismo irá receber o medicamento no horário certo e irá trabalhar em ordem!

Caso você esteja em tratamento, seja para hipotireoidismo ou hipertireoidismo, é importante manter o acompanhamento médico para que seus exames sejam vistos e controlados.

Caso você esteja em tratamento, seja para hipotireoidismo ou hipertireoidismo, é importante manter o acompanhamento médico para que seus exames sejam vistos e controlados.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

A única mudança necessária é a adaptação ao uso do medicamento todos os dias, meia hora antes do café da manhã e se possível no mesmo horário, mesmo sábado e domingo (nem que você durma depois de tomar de novo).

Expectativas

Como a tomada regular do medicamento e o controle dos hormônios no sangue, a vida do paciente é normal.

É muito importante que gestantes ou mulheres que desejam gestação e tem tireoidite de Hashimoto comuniquem seus obstetras para que os ajustes de dose necessários sejam feitos antes e durante a gestação.

Complicações possíveis

A principal complicação é o crescimento da tireoide, fazendo o que chamamos de bócio.

Problemas cardíacos, devido ao aumento do colesterol LDL - o colesterol ruim - podem ocorrer. Além disso o Hashimoto não tratado pode levar ao aumento do coração e risco maior para insuficiência cardíaca.

Depressão pode ocorrer, além de perda da libido e redução da capacidade de funcionamento cerebral, o que chamamos de déficit cognitivo.

Mais raramente, pode ocorrer o desenvolvimento de Mixedema, que é uma condição de profunda letargia, lentificação importante do pensamento e edema em face e em várias partes do corpo. O mixedema é uma condição grave e exige tratamento de emergência.

Em gestantes não tratadas ou que não aderem ao tratamento é possível que ocorram defeitos no feto, como alterações em face, microcefalia e retardo mental.

Prevenção

Prevenção

Infelizmente não há como se prevenir a tireoidite de Hashimoto, pois ela depende do sistema imunológico produzir ou não anticorpos. E, é possível, que mesmo uma pessoa com anticorpos positivos no exame de sangue não desenvolva alterações de funcionamento da tireoide, pois tanto o hipotireoidismo como o hipertireoidismo dependem de uma intrincada relação molecular entre o anticorpo e a célula da tireoide para acontecerem. Igualmente não há evidências científicas suficientes para indicar algum tipo especial de dieta ou consumo de alimento, ou ainda retirada de alimento da dieta, que possam alterar o curso da doença. A única forma de se tratar é a tomada correta do medicamento levotiroxina.

Fontes e referências

  • Escrito pela endocrinologista Andressa Heimbecher, endocrinologista e metabologista - CRM 123579