Doença de Peyronie: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Valter Javaroni
Urologia - CRM 52575160/RJ
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Doença de Peyronie?

A Doença de Peyronie é uma patologia que se caracteriza pela presença de fibrose no revestimento dos corpos cavernosos e consequente tortuosidade do pênis. Importante explicar que essa curvatura do membro só é percebida durante a ereção. Ou seja, quando o pênis está flácido, apenas a fibrose é notada durante a palpação do pênis como nódulos endurecidos.

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Na ereção, quando os dois corpos cavernosos (cilindros) deveriam se expandir simetricamente, ocorreria a curvatura devido à limitação da expansão provocada pela fibrose. Ou seja, o lado que se expande menos funciona como uma ancoragem que determina o lado para onde o penso vai curvar.

Trata-se de uma condição com várias lacunas no conhecimento e por isso, com diferentes tipos de tratamento.

Alguns pesquisadores inclusive propõe a divisão da Doença de Peyronie em tipos distintos. Essa preocupação se deve à grande heterogeneidade nas formas de apresentação e evolução da doença. Alguns casos cursam com fibrose discreta e curvatura mínima, enquanto outros evoluem para placas calcificadas é grande deformidade do pênis, com efeito devastador na vida sexual do paciente.

Causas

A Doença de Peyronie ainda é misteriosa inclusive para os médicos. Ninguém conhece com absoluta precisão as causas da fibrose. O que já é aceito pela maioria dos médicos é o fato de que todos os casos se apresentam com um processo inflamatório com características de cicatrização exagerada acometendo a túnica albugínea - membrana espessa de tecido resistente que envolve os corpos cavernosos, cilindros que se localizam no interior do pênis e são os responsáveis pelo mecanismo de ereção e rigidez do membro masculino. Por conta das características dessa fibrose (tecido de cicatrização) especula-se que a origem do processo seja relacionada à microtraumas. Como a maior parte dos pacientes com Doença de Peyronie não relatam traumas antecedendo a curvatura, especula-se que o próprio coito sexual seria suficiente para deflagrar o processo inicial de fibrose que então se perpetuaria pelo exagero na cicatrização. Isso ocorreria em pessoas com alguma predisposição genética fato reforçado pela ocorrência em gêmeos é maior incidência em familiares.

Fatores de risco

Como a etiologia não está totalmente desvendada, os fatores de risco também não são todos conhecidos. Sabemos que os portadores de outros tipos de fibrose como na contratura de Dupuytren (contratura dos tecidos flexores na palma da mão) ou Fibromatose plantar (contratura nos pés).

Os favores de risco hoje reconhecidos são: presença de história familiar, presença de contratura nas mãos ou pés, diabetes, tabagismo e outras doenças vasculares.

Exames

A anamnese e o exame físico permitem o diagnóstico e são repetidos periodicamente no consultório. Nenhum exame complementar é necessário, sendo recomendado para acompanhamento a realização de fotos em diferentes ângulos para documentar o ângulo da curvatura e a presença de deformidades em ampulheta.

Quando existe planejamento para realização de cirurgias recomenda-se a realização de teste de ereção farmacoinduzida (injeção de vasodilatadores diretamente no interior dos corpos cavernosos) para que o cirurgião visualize a deformidade e avalie a resposta erétil planejando então a melhor técnica cirúrgica.

Sintomas

Sintomas de Doença de Peyronie

A doença tem basicamente duas fases, denominaras AGUDA E CRÔNICA. Nem sempre os casos apresentam essas fases de forma tão marcante. Na fase aguda ocorre dor na ereção, a curvatura se modifica é dura em média seis meses. A fase crônica se caracteriza pela ausência de dor e pela estabilização da curvatura. A maioria dos casos evolui com manutenção ou piora progressiva da curvatura e em menos de 10% pode ocorrer regressão.

Buscando ajuda médica

Dor no pênis, presença de caroços no membro ou tortuosidade na ereção devem motivar busca de orientação com o urologista. Vale lembrar que nem sempre esses sinais e sintomas ocorrem simultaneamente. Às vezes ocorre apenas dor durante os meses iniciais.

Na fase crônica o característico é a curvatura durante a ereção e alguns casos evoluem com placas calcificadas que deformam bastante a anatomizando órgão. Alguns pacientes reclamam de dificuldade de ereção que pode ser consequente à fibrose e deformação dos corpos cavernosos, mas também devido ao impacto psicológico provocado pela curvatura que abala a autoconfiança dos pacientes.

Outra queixa frequente na fase crônica é o encurtamento do órgão, motivo de grande insatisfação dos homens.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Doença de Peyronie

O diagnóstico é clinico, ou seja, feito no consultório pelo médico através da conversa e exame físico. Usualmente recomendamos que o paciente faça fotos do membro ereto para registrar a situação e permitir o acompanhamento. Não há necessidade de nenhum exame complementar específico.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Doença de Peyronie

Existem três tipos de tratamento para Doença de Peyronie: medicamentos orais, injeção de substâncias na placa e cirurgias. Os medicamentos orais seriam indicados na fase inicial onde existem dor e mudança da curvatura. Vitamina E, colchicina, Potaba, Verapamil e anti-inflamatórios aliviam os sintomas, entretanto raramente conseguem modificaria evolução da doença.

A utilização de medicamentos para ereção como tadalafila, sildenafila e verdejariam estariam indicados quando existe disfunção erétil associada.

Várias substâncias já foram testadas na terapia da doença. Corticoides e verapamil foram as mais utilizadas. Os resultados são bastante diferentes em estudos publicados. Em alguns a melhora chega a 60% dos casos enquanto em outros o efeito é semelhante ao grupo controle.

Recentemente foi aprovado pelo FDA uma substância injetável já utilizada na contratura de Dupuytren: a colagenase produzida pelo clostridium (Xiaflex*) que conseguiria digerir a fibrose e reduzir a curvatura. Os estudos iniciais mostraram que há necessidade de várias aplicações, modelagem do pênis no consultório e com melhoras bastante modestas. O medicamento ainda não está disponível no Brasil.

A cirurgia, quando bem indicada e corretamente realizada, traz as melhores taxas de satisfação. O momento adequado para fazer a cirurgia precisa ser identificado em conjunto com o paciente e não existe uma regra. Cada caso merece uma conduta.

Geralmente se opera quando a vida sexual do paciente está bastante prejudicada, o que ocorre nos casos de curvaturas de maior intensidade e quando há dificuldade de ereção associada.

Duas técnicas podem ser empregadas: as plicaturas onde se encurta o lado convexo da curvatura ou as técnicas de enxertia onde se incisa ou excisão a placa e utiliza-se um tecido do próprio paciente (veia, fáscia lata ou mucosa oral) ou material heterólogo (pericárdio bovino) para reparar a área da placa.

Quando existe disfunção erétil associada o emprego de prótese peniana estaria indicado e pode ser realizado no mesmo procedimento.

A vantagem da técnica de plicatura é que é mais simples,porém provoca encurtamento do pênis. Por outro lado, nas curvaturas mais complexas e em pacientes que não toleram perda de tamanho, as técnicas de enxertia seriam mais adequadas, pois preservam o comprimento peniano.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

A Doença de Peyronie pode ter um impacto significativo na vida sexual do homem e por isso a orientação médica apropriada é fundamental. Infelizmente nem todos os especialistas sabem lidar com a complexidade de cada situação e podem desestimular o homem com a doença.

Evitar traumatismo no pênis seria o conselho inicial, mas sabemos ser complexo quando impróprio couto sexual pode iniciar a fibrose. Evitar posições onde o controle da penetração seja delegado à parceira é importante para não agravar uma pequena curvatura ou fibrose inicial.

Tratar corretamente as comorbidades é fundamental. Além do diabetes, a hipertensão, dislipidemia e a obesidade precisam ser tratadas, pois pioram o prognóstico da doença inclusive afetando a qualidade da ereção.

Apoio psicológico faz parte do tratamento e pode melhorar a convivência com a doença sem prejuízo da vida sexual.