Claudicação intermitente: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Bruno Lima Naves
Angiologia - CRM 13800/MG
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Claudicação intermitente?

Claudicação é o nome dados para quando o fluxo de sangue nas pernas é normal quando se está em repouso, mas se torna insuficiente durante a caminha para irrigar os músculos e tecidos nas extremidades, devido a alguma obstrução em uma ou várias artérias.

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O músculo sente falta do sangue e se manifesta com dor, desconforto, cãibra, queimação na panturrilha, coxa, quadril ou nádegas, que são reproduzidos com caminhada e desaparecem após alguns minutos mesmo com o indivíduo em pé.

Com o passar dos anos e evolução da doença, um terço dos pacientes com claudicação intermitente relata dor que necessita parar e até 20% dos pacientes se não tratados podem necessitar de uma amputação.

Causas

Na claudicação intermitente, o sangue tem dificuldade para chegar às extremidades do corpo devido ao que chamamos de doença arterial periférica (DAP) ou má circulação. A DAP afeta aproximadamente 15 a 20% dos indivíduos acima de 70 anos.

Aproximadamente 2% a 3% dos homens e 1% a 2% das mulheres com 60 anos ou mais apresentam algum sintoma de claudicação. Como a longevidade está aumentado em nosso país, deveremos ter mais doenças arteriais e é muito importante conhecer para prevenir e ser um idoso ativo e saudável.

Fatores de risco

Os fatores de risco para doença arterial periférica e os sintomas da claudicação são:

  • Sexo: indivíduos do sexo masculino são mais propensos a desenvolver DAP
  • Idade: o risco de DAP aumenta com a idade. A prevalência de claudicação intermitente em indivíduos com 60 a 65 anos é de aproximadamente 35% e aumenta para 70% com a idade entre 70 e 75 anos
  • Tabagismo: o risco da doença arterial em fumantes é 16 vezes maior
  • Diabetes: cada 1% de aumento da hemoglobina glicada aumenta em 25% o risco de DAP. Pacientes diabéticos apresentam dez vezes mais chance de amputação quando comparados a não diabéticos
  • Hipertensão: hipertensos apresentam o dobro de chance de apresentar DAP quando comparados à população em geral
  • Dislipidemia: aumento do colesterol total, LDL, triglicérides e lipoproteína são fatores de risco
  • Inflamação: níveis elevados de proteína C reativa, fibrinogênio e alterações no sangue têm sido associados à maior prevalência de DAP.

Sintomas

Buscando ajuda médica

A claudicação intermitente pode se manifestar devagar, inicialmente somente em longas distâncias, evoluindo progressivamente para curtas distâncias ou que impede as atividades diárias. Depois podem aparecer dor em repouso ou dormência na parte dianteira dos pés e dedos, que melhora quando o indivíduo deixa as pernas pendentes. Podem aparecer palidez, frialdade e finalmente lesões na pele (normalmente nos pés), que são muito dolorosas.

O ideal é buscar ajuda médica o mais precoce possível, ou seja, assim que o indivíduo perceber que em algum momento da caminhada ou exercício sentiu dor (principalmente na panturrilha) que o fez parar por alguns momentos e após um descanso pode retornar a caminhar. Se este sintoma de claudicação começar a se repetir, normalmente com a mesma distância ou esforço e no mesmo lugar, é hora de consultar um angiologista/cirurgião vascular.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Claudicação intermitente

O diagnóstico do problema é feito após uma consulta médica com o angiologista ou cirurgião vascular. Por meio da medida da pressão arterial nos pés e a comparação com a pressão no braço obtemos um índice que serve de referência para um primeiro diagnóstico. É realizado no momento da consulta.

Depois podemos lançar mão de ultrassom doppler, que mostra a situação das artérias nos membros inferiores e pode comprovar o diagnóstico e avaliar a extensão do problema. Além desses exames, podemos usar a angiotomografia quando queremos visualizar lesões mais altas ou planejamos uma intervenção, e finalmente a angiografia convencional, que é usada para o planejamento cirúrgico.

Tratamento e Cuidados

Cuidados

Feito o diagnóstico, os cuidados devem ser atacar os fatores de risco:

  • Parar de fumar, e se for o caso, procurar auxílio de um psiquiatra para eliminar o vício
  • Controle rigoroso de colesterol, triglicérides e glicose
  • Pacientes obesos com IMC maior que 25, circunferência abdominal maior ou igual a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres devem emagrecer
  • Exercício físico: caminhada até sentir a dor. Parar e repetir pelo menos 150 minutos por semana. É necessário o estímulo da dor para formação de uma circulação nova, fina, mas que vai ajudar a melhorar a distância da caminhada progressivamente. Usar calçados confortáveis e apropriados (tênis) para evitar bolhas, lacerações e machucados
  • Controle rigoroso da pressão arterial
  • Todo cuidado com os pés para não machucar. Examinar todos os dias à procura de pequenos ferimentos, frieira entre os dedos dos pés e manter a pele bem hidratada. Caso encontre algum pequeno ferimento, tratar o mais rápido possível
  • Medicamentos: o uso de medicamentos à base de estatinas é fortemente indicado, bem como as na dose de 75 a 100 mg/dia. Outros medicamentos chamados de vasodilatadores poderão ser utilizados dependendo da gravidade da doença.