Vacina da dengue não deve ser tomada por quem nunca teve a doença, diz Anvisa

Novos estudos inconclusivos indicaram que a vacina pode fazer com que esses pacientes desenvolvam versões mais graves da doença

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 30/11/2017

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta quarta-feira (29) que o laboratório Sanofi-Aventis, fabricante da vacina da dengue, apresentou informações preliminares que sugerem que pessoas que nunca tiveram contato com o vírus da dengue podem desenvolver formas mais graves da doença caso tomem a vacina. A vacina Dengvaxia foi aprovada no Brasil em 28 de dezembro de 2015 e não é oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações, somente pela rede privada.

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Embora a suspeita apresentada pelo laboratório ainda não seja conclusiva, a recomendação da Anvisa é que a vacina não seja tomada por pessoas que nunca tiveram dengue. De acordo com as informações apresentadas pela Anvisa, que precisam de uma análise mais completa dos estudos, alguns indivíduos apresentaram formas mais graves da doença após a aplicação, isso ocorreu em pessoas que não haviam tido um contato prévio com o vírus.

A possibilidade existe no caso de pessoas soronegativas (que nunca entraram em contato com o vírus) serem vacinadas e posteriormente serem expostas ao vírus da dengue, ou seja, após a picada de um mosquito infectado. Assim, elas poderia desenvolver um quadro mais agudo de dengue caso sejam infectadas após terem recebido o medicamento.

No entanto, a agência ressalta que a vacina em si não iria desencadear um quadro grave da doença nem induzia ao aparecimento da doença de forma espontânea. Para isso, é necessário o contato posterior com o vírus da dengue por meio da picada de um mosquito infectado.Por esse motivo, a bula da vacina será atualizada enquanto a Anvisa avalia os dados completos dos estudos, que ainda serão apresentados pelo fabricante.

Vacina

A vacina da Sanofi, chamada Dengvaxia, é a única aprovada no Brasil. O produto é indicado para imunização contra os quatro subtipos do vírus. Para as pessoas que já tiveram dengue, a Anvisa avalia que o benefício do uso da vacina permanece favorável.

Através do comunicado a Anvisa esclareceu que "este risco não havia sido identificado nos estudos apresentados para o registro da vacina na população para a qual a vacina foi aprovada".

Além disso, eles informaram que, antes do registro, os efeitos da imunização foram estudados em mais de 40 mil pessoas em todo o mundo, e que as pesquisas seguiram os padrões estabelecidos por guias internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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