Cirurgia de apêndice é urgente, mas não altera rotina

O consumo de fibras continua necessário e não há mudanças na digestão

Por Minha Vida


A cirurgia de apêndice assusta. De repente, uma dor intensa toma conta do seu corpo e, no hospital, descobrem que é necessário operar, evitando uma infecção generalizada. Restos de fezes e de alimentos não digeridos, atualmente, são considerados os causadores da inflamação. Mas o assunto ainda causa muita controvérsia entre os médicos.

"Esses restos iriam obstruir o apêndice, criando condições para o desenvolvimento de bactérias", afirma o cirurgião geral Carlos Rubens Maciel, diretor clínico do Hospital-Dia e Maternidade Unimed-BH. Além da obstrução, um apêndice inflamado apresenta a trombose de suas artérias, com consequente isquemia e ruptura do órgão. Havendo a ruptura, é necessário um grande processo de drenagem, prevenindo que as bactérias se alastrem e contaminem outros órgãos. 

Mulher com apendicite

Até hoje, o apêndice não foi associado a nenhuma função vital para o funcionamento do organismo. Por isso, os médicos nem pensam duas vezes em retirá-lo quando há alguma suspeita de problema. Os sintomas de uma apendicite, geralmente, incluem dor de leve a moderada, que se inicia na região central do abdômen, acompanhada de náuseas e vômitos. Na sequencia, a dor migra para o lado direito e são necessários exames para descobrir se o organismo é vítima de infecção. A medição dos glóbulos brancos tem o resultado analisado junto a outros exames, como tomografia, ultrassom e radiografia. 

Na maioria dos casos, quando o diagnóstico foi dado antes da instalação de peritonite generalizada, a evolução é boa e, em poucos dias, o paciente estará recuperado. "Quando a cirurgia é feita antes de complicações como o rompimento do apêndice (e a disseminação da infecção), o paciente estará recuperado e sem seqüelas em torno de 15 dias, devendo apenas evitar esforços físicos maiores que podem prejudicar a cicatrização", afirma o médico da Unimed- BH. 

Segundo ele, a suposta relação entre o apêndice e a imunidade ainda não está bem explicada. "Sabemos que as pessoas com problemas imunológicos estão mais propensas a desenvolver infecções e precisam de acompanhamento, mas é só". Como o apêndice está no final do intestino grosso e nem participa da digestão, não há com o que se preocupar em se tratando de prisão de ventre. 

O consumo de fibras continua sendo recomendado, desde que seguido pela ingestão de água, como acontece com qualquer pessoa. A água é necessária para umedecer o bolo fecal e prevenir a constipação. A absorção dos nutrientes, que acontece em grande medida no intestino, também não é prejudicada. Isso porque a região em que esse processo ocorre é bem distante daquela onde se localiza o órgão que pode vir a infeccionar. 


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