Puberdade tardia: causas e como lidar

As causas da puberdade atrasada podem ser patológicas ou fisiológicas

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 15/05/2017

Dra. Andrea Hercowitz
Pediatria - CRM 83275/SP
especialista minha vida

Entende-se por puberdade as mudanças do corpo consequentes às alterações biológicas que ocorrem no final da infância e início da adolescência e que resultam na maturidade física e capacidade de procriação.

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O primeiro sinal da puberdade feminina é o aparecimento do broto mamário, que pode ocorrer entre os 8 e os 13 anos de idade. As mamas lentamente ganham volume e modificam sua forma até adquirirem características adultas, no final da adolescência.

Cerca de 6 meses após o início da puberdade, aparecem os pelos pubianos. A pilificação axilar surge 6 meses após.

A puberdade masculina é tão intensa quanto a feminina, mas seu início é menos marcante. O primeiro sinal da entrada na puberdade apresentado pelos meninos é o aumento do volume testicular, que ocorre entre os 9 e os 14 anos de idade. Cerca de 6 a 12 meses após, começam a aparecer os pelos pubianos. Os axilares e faciais surgem depois de 2 anos.

Puberdade Tardia

A puberdade é considerada atrasada quando não há o aparecimento dos caracteres sexuais secundários dentro do período esperado, ou seja, até os 13 anos para o sexo feminino e 14 anos para o sexo masculino.

Causas da puberdade tardia

A puberdade tardia pode ocorrer por causas fisiológicas, como o atraso constitucional da puberdade ou ter causa patológica, ou seja, resultante de alguma doença.

A causa mais comum de atraso puberal é o retardo constitucional da puberdade, que tem influência genética e herança familiar, ou seja, pai e/ou mãe biológicos tiveram esse mesmo comportamento. É uma característica fisiológica, não considerada doença, mas exige atenção devido às repercussões psicossociais que podem desencadear.

Nessa situação, os jovens têm o início da puberdade atrasada, como aconteceu com outros membros de sua família. Geralmente são bebês que nascem com peso e tamanho adequados, mas já na infância percebemos que apresentam uma estatura menor do que a média, o que se torna mais evidente na adolescência, por conta do atraso do estirão do crescimento.

Todos os eventos relacionados à transformação física acontecem mais tarde, mas ocorrem na mesma intensidade e duração do resto da população. Ao final da puberdade, a estatura familiar é atingida e encontra-se na média da população geral, assim como todo o desenvolvimento físico, que ocorre sem intercorrências.

As doenças mais comumente associadas ao atraso de puberdade são:

  • Síndrome de Turner
  • Síndrome de Klinefelter
  • Ausência de gônadas, testículos ou ovários
  • Deficiência de GnRH, hormônio associado ao desencadear da puberdade
  • Hipotireoidismo
  • Diabetes
  • Doenças crônicas
  • Desnutrição
  • Doenças infiltrativas

A hipótese de tumores sempre tem que ser descartada.

Em adolescentes previamente saudáveis é preciso ficarmos atentos aos transtornos alimentares, principalmente à anorexia. Por conta da desnutrição extrema a produção de hormônios necessários para a evolução normal das mudanças puberais diminui, provocando o atraso da puberdade. Adolescentes que já apresentavam sinais de puberdade podem ter regressão dos caracteres sexuais secundários por conta da baixa produção hormonal.

Como lidar com a puberdade tardia?

Diante da percepção de atraso de puberdade, o adolescente e suas famílias devem procurar um médico hebiatra (especialista em adolescentes) ou um endocrinologista, para avaliação, diagnóstico e tratamento, se necessário.

A puberdade atrasada, seja ela constitucional ou patológica, pode levar à distúrbios psicológicos e sociais, gerando insegurança e ansiedade. Os jovens e suas famílias devem ser orientados de acordo com cada situação e o suporte psicológico pode ser de grande valia. No caso do retardo constitucional de puberdade é muito importante ressaltar aos adolescentes que apesar de o processo acontecer um pouco mais tarde, a maturidade física será atingida normalmente, assim como a estatura final, que estará de acordo com as características familiares, sem a necessidade de tratamento.

No caso de o atraso da puberdade ter causa patológica, o tratamento será orientado por um médico de acordo com cada situação. Doenças de base devem ser tratadas e nos casos em que há falta de produção dos hormônios necessários à evolução normal da puberdade, esses devem ser prescritos e utilizados durante a adolescência, muitas vezes até a idade adulta.

Nos casos de puberdade atrasada fisiológica, se as repercussões psicossociais forem de extrema importância e de difícil manejo, médico e família devem avaliar cautelosamente a situação e, caso concluam ser benéfico, podem optar pelo uso de esteroides sexuais por curto prazo, sendo a testosterona indicada para os meninos e o estrogênio para as meninas.

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