Homens estão mais sujeitos à depressão após nascimento do filho

Os riscos são ainda maiores para casais com menos de 25 anos, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 07/09/2010

De acordo com um estudo feito pelo Medical Research Council, em Londres, casais que concebem filhos possuem maiores riscos de desenvolver depressão, principalmente no primeiro ano de vida da criança. Eles também descobriram que 1/3 das mães e 1/5 dos pais do Reino Unido tiveram pelo menos um caso de depressão desde o nascimento do filho até o seu aniversario de 12 anos.

O estudo foi feito com aproximadamente 87 mil famílias de todo o Reino Unido, entre 1993 e 2007. Nesse período, 19 mil mães apresentaram casos de depressão, enquanto oito mil pais ficaram deprimidos. O estudo mostrou que 13 entre cada 100 mães ficam deprimidas no primeiro ano de vida da criança, sem contar os casos de depressão pós-parto.

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Mesmo que as mulheres sejam as mais afetadas pelo nascimento do bebê, os homens também sofrem alterações causadas pelo nascimento de uma criança. Os riscos de depressão nos homens aumentam quase 50% no primeiro ano de vida do bebê.

De acordo com os autores do estudo, o aumento nos casos de depressão não é surpreendente e acontece devido a vários motivos como a mudança drástica na rotina do casal pela falta de experiência em lidar com crianças, o aumento da responsabilidade que um filho traz, falta de sono e a diminuição da intimidade com o parceiro.

Para os casais mais jovens, que têm no máximo 25 anos, os efeitos parecem ser ainda maiores, devido à falta de experiência da maioria dos casais em lidar com o bebê. As mães mais jovens ficam muito inseguras quando não conseguem cuidar do filho sozinhas e se tornam mais propensas a cair em depressão. Além disso, tanto o pai quanto a mãe, sentem mais falta da vida social que tinham antes de ter o filho, quando ainda são jovens, do que quando já são mais velhos.

Atenção aos sintomas

Por isso, ficar atento a alguns sintomas pode evitar a depressão pós-parto nos pais e nas mães.

Nas mulheres, os sintomas são inúmeros e podem se iniciar com choro sem motivo, irritabilidade, intolerância ao marido e familiares, insônia, agressividade e passividade. A mulher em depressão pós-parto raramente apresenta alteração na capacidade de cuidar do seu bebê. Ou seja, ela não o abandona a própria sorte. Essa dificuldade acontece somente nos casos mais graves. Nessas circunstâncias, os médicos podem indicar a introdução da medicação até a situação ser normalizada. A doença também é categorizada como tristeza também definida como depressão fisiológica, transtorno de humor transitório, em que os sintomas aparecem por volta do quinto dia após o parto, devendo desaparecer depois de duas semanas.

Muitas vezes a mulher acha que está apenas cansada e com falta de energia e, além disso, ela pode se sentir culpada pela tristeza que está sentindo. Por isso, caso seja notada instabilidade emocional, o melhor é conversar com o ginecologista, que pode avaliar com mais precisão e fazer o encaminhamento para um especialista, que pode ser um psicólogo ou um psiquiatra.

Mulheres que já passaram pela depressão pós-parto na primeira gestação têm mais chances de apresentá-la na segunda gravidez. Por isso, é essencial conversar abertamente com o obstetra que acompanha a gravidez, relatando todo o histórico pessoal, buscando tratamento preventivo.

Nos homens também há uma reação imediata ao nascimento do filho. Segundo um estudo da Eastern Virginia Medical School, EUA, o índice de pais deprimidos é duas vezes maior do que o geralmente visto em homens adultos. As possíveis causas da depressão paterna podem ser hormonais e psicológicas.

Os sintomas da depressão paterna incluem tristeza, perda de interesse, problemas de sono e perda de apetite. Casos mais profundos podem envolver também irritabilidade e afastamento da família. Tanto a depressão materna quanto a paterna pode ter efeitos negativos sobre as crianças.