Dá para minimizar os problemas da adolescência?

Saber o histórico da puberdade dos pais pode ajudar a tratar esses problemas desde cedo

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 19/07/2017

Dra. Andrea Hercowitz
Pediatria - CRM 83275/SP
especialista minha vida

A adolescência é uma fase permeada de mudanças, muitas boas, outras nem tanto. No balanço geral é positiva, afinal é quando iniciamos nossa busca por quem somos na vida adulta. Corpos se transformam, a independência aumenta gradativamente, muitas portas se abrem. Mas a adaptação do corpo à todas as mudanças nem sempre é tranquila. Podem surgir odores desagradáveis, espinhas, alterações menstruais, estrias, entre outros.

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Os principais agravos da adolescência

A experiência do adolescer é muito individual, cada um vivencia de um jeito próprio, resultante da somatória de sua personalidade com o ambiente em que vive, tanto familiar quanto social, e pelas respostas do corpo à todas as mudanças físicas, metabólicas e hormonais.

Saber lidar com todas essas mudanças é uma arte complexa para os jovens que as estão vivenciando e a ajuda dos pais é de grande valia, seja ouvindo, compreendendo e acolhendo, seja compartilhando sua própria experiência de ser adolescente, ou mesmo se adiantando aos problemas que podem vir a surgir. Sim, algumas situações podem ser evitadas quando se sabe do histórico familiar dos pais.

A influência da genética nos sintomas da puberdade

Alguns dos comportamentos do corpo têm tendência hereditária, sendo a acne um desses. Adolescentes que tiveram um ou ambos os pais com muita acne, têm chance de também tê-las, por isso, assim que surgirem os primeiros sintomas devem ser encaminhados ao médico para iniciar o tratamento e evitar o agravamento do quadro, que quando mal controlado pode levar a cicatrizes para a vida toda. Nos últimos anos o tratamento evoluiu muito, e os riscos de sequelas físicas e emocionais são infinitamente menores do que no passado.

O mesmo acontece com a menstruação. Tanto a idade da menarca (primeira menstruação), quanto suas características, costumam ter influência familiar. Jovens cujas mães menstruaram tarde, por exemplo, podem ter sua ansiedade reduzida quando sabem que possivelmente isso acontecerá com elas também.

E o contrário também é verdadeiro: mães que tiveram puberdade precoce e consequentemente a menarca precoce, podem ficar atentas às primeiras mudanças do corpo de suas filhas, e, quando necessário, sob orientação médica, iniciar tratamento para atrasá-la para um momento mais adequado. A síndrome dos ovários policísticos, causadora de irregularidade menstrual e acne, além de outras alterações físicas, tem forte influência genética, seja por parte da família materna quanto paterna.

Os odores corporais relacionados à sudorese também podem ser controlados quando se conhece o histórico dos pais. É normal que na adolescência os suores brotem mais facilmente do que na infância e que venham acompanhados de odores característicos, principalmente em axilas e pés. Existem glândulas que se tornam ativas nessa época da vida e que são responsáveis por isso, mas algumas famílias costumam exalar mais odores do que outras. Uma vez que os pais já passaram por isso, podem orientar seus filhos a preveni-los, antes que passem por situações constrangedoras.

Devido ao crescimento rápido e intenso do corpo, a pele se estica e podem aparecer as estrias, tanto nos meninos quanto nas meninas. Homens apresentam com maior frequência na região dos quadris e nas costas, enquanto as mulheres apresentam nos quadris, coxas e seios. Quando os pais sabem que têm essa tendência, podem orientar seus filhos a tentar preveni-las, com o uso diário de bons cremes hidratantes.

Dividir as próprias experiências com os filhos, ajudando-os na prevenção de riscos, não só os torna mais seguros como pode ajuda-los a minimizar os desconfortos da adolescência. Quando se trata de hereditariedade, o ditado está certo: "filho de peixe, peixinho é".