Chiclete de nicotina: conheça os prós e contras desse tratamento para parar de fumar

O tratamento é mais usado em conjunto com o adesivo de nicotina e ajuda a controlar a fissura por fumar

O que é o chiclete de nicotina

O chiclete de nicotina é um dos métodos na Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), que repõe a substância responsável pelo vício no cigarro, excluindo as outras, que fazem mal à saúde. Dessa forma ela evita crises de abstinência e com a redução gradual das doses de nicotina, ajuda no processo de parar de fumar.

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Um desses métodos é o chiclete de nicotina, que normalmente vem com 4 ou 2 mg de nicotina por goma. O adesivo de nicotina costuma ter maior adesão que ele, mas mesmo assim, é um método bastante utilizado, principalmente para os momentos de fissura.

Para quem o chiclete de nicotina é indicado

A Terapia de Reposição de Nicotina, que inclui o chiclete de nicotina, normalmente é indicada para pacientes que têm alta dependência do cigarro, quando há histórico de síndrome de abstinência quando a pessoa fica privada do fumo ou se ele pontuou acima de cinco em teste específico, chamado de Teste de Fagerström. Porém, tudo deve ser ponderado caso a caso.


Como funciona o chiclete de nicotina

O chiclete tem nicotina dente de sua cápsula, que é liberada durante a mastigação, onde é absorvido diretamente pela mucosa bucal ou ao longo da digestão. A liberação ocorre gradativamente.

Como usar o chiclete de nicotina

Ao contrário do chiclete comum, você deve mastigar com bastante força o chiclete de nicotina inicialmente e quando começar a sentir o gosto da nicotina, coloque-o entre a gengiva e a lateral da bochecha, deixando lá até que o sabor desapareça. Após 30 minutos, você já pode descartar o chiclete.

Colocar na lateral da boca é importante, pois a nicotina é melhor absorvida ali do que no resto do sistema digestório, o que resulta na absorção do equivalente a metade da nicotina de um cigarro. Além disso, quando a nicotina é absorvida no estômago ou intestino, boa parte dela será metabolizada pelo fígado e não chegará ao sistema nervoso central, onde atuará aplacando a abstinência.

É importante não beber água enquanto estiver mascando, pois isso possibilita que a nicotina seja engolida. Além disso, fumar e usar o chiclete em grandes quantidades pode levar a uma intoxicação por excesso de nicotina no corpo.

Os médicos costumam indicar os esquemas de uso desses chicletes de acordo com o grau de dependência. Se a pessoa fuma 20 ou mais cigarros por dia, o tratamento durará 12 semanas, nas quais:

  • Semana 1 a 4 = goma de 4 mg a cada 1 a 2h
  • Semana 5 a 8 = goma de 2 mg a cada 2 a 4h
  • Semana 9 a 12 = goma de 2 mg a cada 4 a 8h.

Caso o paciente fume menos de 20 cigarros por dia, o esquema é um pouco diferente:

  • Semana 1 a 4 = goma de 2 mg a cada 1 a 2h
  • Semana 5 a 8 = goma de 2 mg a cada 2 a 4h
  • Semana 9 a 12 = goma de 2 mg a cada 4 a 8h.

Resultados esperados

Normalmente o chiclete de nicotina é mais eficaz quando usado como um aliado do adesivo, pois enquanto o último traz quantidades constantes e pequenas de nicotina ao longo do dia, o chiclete controlaria os momentos de fissura. Por isso mesmo, não há muitos estudos que evidenciem o sucesso do chiclete sozinho.

Porém, é possível conseguir mais êxito em parar de fumar se você fizer o tratamento com acompanhamento de um médico, que poderá avaliar suas características individuais, como grau de dependência e histórico, e modelar o tratamento de acordo com isso.

Vantagens e desvantagens do adesivo de nicotina

Qualquer Terapia de Reposição de Nicotina tem como vantagem o fato de só repor a nicotina, poupando o até então fumante de estar em contato com as outras substâncias nocivas do tabaco (como o alcatrão, por exemplo), mas reduzindo as crises de abstinência, já que a nicotina é reduzida gradualmente. Não há risco do paciente viciar no adesivo ou em qualquer outro método desse tipo de terapia.

Porém uma das desvantagens do chiclete é que ele só traz alívio por um momento, como o cigarro.

Efeitos colaterais

É muito raro ocorrem efeitos colaterais, e quando aparecem, ocorrem por não ter havido uma orientação médica ou porque as recomendações do especialista não foram ouvidas. Ele pode causar náuseas, irritação na mucosa da boca (inclusive causando úlceras) e uma intoxicação por uso excessivo. Esse último risco aumenta se o paciente continuar fumando.

Contraindicações

As Terapias de Reposição de Nicotina contêm quantidades bem menores dela e os recursos utilizados não trazem em si as outras substâncias nocivas do cigarro, como o alcatrão, por exemplo. Por isso, elas não trazem grandes riscos, já que a nicotina é mais responsável pelo vício em si do que pelos problemas de saúde decorrentes do tabagismo.

Dessa forma, não há muitas contraindicações para as terapias de reposição de nicotina, como o chiclete de nicotina, pois continuar fumando é sempre pior. Alguns especialistas alegam que mesmo pessoas com doenças cardíacas e gestantes podem fazer uso desses recursos, até porque não há provas de que esse tipo de tratamento cause problemas à saúde do feto.

Porém, novos estudos têm mostrado a relação entre a nicotina e o câncer. Um estudo publicado na revista científica PLoS One, em 2013 mostrou que a substância pode alterar a expressão dos genes da células, tornando mais provável o aparecimento da doença. Essas descobertas podem mudar as medidas de recomendação para esse tipo de terapia.

Tratamentos aliados ao chiclete de nicotina

Adesivo de nicotina A maior parte dos médicos indica o chiclete como um aliado do adesivo, para ser mascado em momentos de maior vontade de fumar, apesar do uso do outro recurso. Assim, o paciente consegue driblar melhor a síndrome de abstinência, mais inimiga de quem quer parar de fumar.

Bupropiona Quando o paciente é muito dependente de nicotina, o médico recomendar também um tratamento medicamentoso, usando a bupropiona. O medicamento também reduz a vontade de fumar e pode ser tomado por até três mesmo, mas só pode ser comprado com receita.

Quem pode indicar o chiclete de nicotina

Os chicletes de nicotina são encontrados em farmácias e pode ser obtidos sem receita. Mas prefira usá-los com a orientação do médico, que o ajudará a escolher a técnica mais adequada para você, inclusive aliando mais de um tratamento, de acordo com seu histórico e grau de dependência.

Fontes
Pneumologista Luiz Carlos Côrrea da Silva (CRM-RS 4414), membro da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e do conselho consultivo da Aliança de Controle do Tabagismo (ACTBr)
Psicóloga Sabrina Presman, especialista em tabagismo da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas (ABEAD)
Livro ?Tabagismo: Doença que tem tratamento? (Editora ArtMed), organizado pelo pneumologista Luiz Carlos Côrrea da Silva