Escleroterapia: cuidados, exames necessários e procedimento

O tratamento abrange todos os tipos de varizes, mas pede cuidados essenciais

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Bruno Lima Naves
Angiologia - CRM 13800/MG
especialista minha vida

A escleroterapia é um tratamento médico que visa à formação de uma reação inflamatória dentro de uma veia doente, que faz com que as paredes se endureçam e a veia afetada pare de funcionar e causar distúrbios na circulação, seja refluxo ou cosmético.

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O tratamento abrange todos os tipos de varizes, desde as telangectasias, que são aqueles vasos finos, avermelhados, passando pelas veias reticulares azuis, que aparecem na pele, até varizes mais grossas, que causam a doença varicosa propriamente dita.

Tipos de escleroterapia

  • Escleroterapia convencional ou química: é a introdução de um medicamento líquido dentro da veia, que vai gerar uma reação química fazendo-a endurecer, fibrosar e desaparecer lenta e progressivamente
  • Escleroterapia térmica ou física: é feita pela administração de calor, seja por laser ou radiofrequência, no interior da veia provocando uma reação física que também faz a veia desaparecer. Normalmente é utilizada associada à escleroterapia convencional para unir uma reação química com uma reação física e intensificar os resultados
  • Crioescleroterapia: escleroterapia convencional, líquida, com administração do medicamento muito resfriado. O medicamento é administrado bem frio provocando uma reação química (medicamento) e física (frio intenso)
  • Escleroterapia com medicamento em forma de espuma: o medicamento é injetado em forma de espuma abrangendo veias maiores com menos medicação. Também produz uma reação química.

Cuidados antes do procedimento

Fazer uma avaliação com um angiologista ou cirurgião vascular capacitado a avaliar os riscos e benefícios do tratamento. Uma indicação correta, o conhecimento da anatomia da região a ser tratada, das condições gerais do paciente, um local de trabalho preparado para esta finalidade, vistoriado pela vigilância sanitária, com boa iluminação, medicamentos e materiais de primeira linha. Enfim, executar o que chamamos de ROP, que são Práticas Organizacionais Exigidas de acordo com os órgãos que regem o funcionamento de consultórios médicos.

O mais importante é que estamos lidando com a introdução de um medicamento dentro de um vaso e isto é um tratamento muito sério que quando bem feito tem resultados formidáveis, porém em mãos não habilitadas pode ser catastrófico.

Procedimentos

  • Escleroterapia convencional: a administração do medicamento é feita com uma agulha usada só para esta finalidade. É uma agulha muito fina, trifacetada e biselada, mais fina que um fio de cabelo e que não produz dor quase nenhuma. Para atenuar o pequeno incômodo pode-se usar um resfriamento local, que diminui ainda mais a sensação de uma leve picada. Outras medidas como tomar um analgésico antes da sessão também podem ajudar
  • Escleroterapia com radiofrequência: os cuidados são os mesmos, uma vez que a energia térmica é introduzida junto com a medicação. Na escleroterapia a laser o uso do resfriamento é obrigatório, pois o calor gerado pode queimar a pele. Não há cortes e alguns médicos usam meia elástica após o procedimento
  • outros preferem enfaixar e muitos não usam nada.

O tempo de duração do procedimento varia muito de paciente, da quantidade de veias e do método de trabalho de cada um, mas de uma maneira geral podemos dizer que 30 minutos é um bom tempo para realização de uma sessão de escleroterapia.

Exames necessários para realizar a escleroterapia

O exame clínico feito por um especialista que é capaz de avaliar a origem das veias, sua projeção sobre os grandes troncos venosos, a proximidade com artérias e nervos, a presença de lesões de pele, edema, se a pessoa é portadora de trombofilia e, se necessário, podemos pedir exames laboratoriais ou Doppler colorido dos membros para uma avaliação mais detalhada. Só depois de uma avaliação da saúde do paciente como um todo será possível realizar o procedimento.

Somente o angiologista e cirurgião vascular são médicos habilitados para realizar o procedimento, pois este especialista é treinado ao longo de sua formação a executar o procedimento com todos os requintes que a técnica necessita, ou seja, conhecimento perfeito da anatomia dos membros inferiores, principalmente no que diz respeito aos vasos arteriais, linfáticos, aos nervos periféricos e às veias perfurantes que comunicam o sistema venoso superficial ao profundo.

Só após um treinamento intenso e muitos anos de estudo e um título de especialista o médico poderá fazer o procedimento. Afinal o paciente está entregando nas mãos do médico o que ele tem de mais importante, sua saúde, e a relação é de confiança total.

Cuidados após a escleroterapia

  • Não tomar sol no dia do procedimento
  • Não fazer ginástica pesada no dia
  • Usar um creme para retirar as equimoses caso aconteçam.

Em varizes grossas nas quais usamos a espuma às vezes temos que retirar o sangue que fica acumulado dentro da veia após ela ter esclerosado. Esse tratamento pós-cirúrgico é feito no consultório de forma muito tranquila.

Contraindicações

Pessoas que têm deficiência séria de circulação, portadores de doenças sistêmicas graves, com trombose superficial ou profunda, infecção local ou generalizada, imobilização no leito, alergia conhecida ao agente esclerosante, arterite, edema importante de membros inferiores, gestantes e mau estado de saúde geral são as principais contraindicações.

Essa é a razão pela qual é um procedimento que deverá ser realizado por angiologista ou cirurgião vascular capacitado capaz de reconhecer, avaliar a saúde do paciente e indicar ou não o tratamento adequado. Lembro que não tratamos "umas veias nas pernas", mas cuidamos da saúde vascular de uma pessoa muito especial, o paciente que nos procura e confia em nosso trabalho feito com ética, amor e respeito.

Possíveis complicações e riscos da escleroterapia

Podemos ter trombose venosa profunda, escarras (pequenas feridas muito dolorosas), pequenas infecções locais, vermelhidão, dor, flebite superficial.

No momento da aplicação, dependendo do medicamento usado, tosse, sensação de falta de ar, de visão turva, às vezes enxaqueca em pessoas que já têm crises, até reações anafiláticas, que podem acontecer com qualquer pessoa que usa qualquer tipo de medicamento e são impossíveis de serem previstas, mas felizmente são extremamente raras.

Em mãos não preparadas ou inabilitadas o risco pode ser real, pois por desconhecimento pode ser injetado medicamento em artérias provocando isquemia e até perda do membro afetado; ou injeção inadvertida em veias perfurantes levando a trombose venosa profunda; ou usar material de origem duvidosa podendo provocar contaminação, inoculação de vírus e bactérias se não for feita em ambiente seguro, vistoriado pela vigilância sanitária e seguindo regras claras sobre o uso de medicação injetável.

A melhor forma de prevenir é escolher um profissional preparado para cuidar de sua saúde vascular.